JORNAL DE PORTIMÃO

Segunda-feira, Fevereiro 15, 2010

Cobertura da Alameda deve ser discutida

(Opinião - J.E.)
O turismo arrasta na sua queda sectores como o comércio e a construção. Em consequência, não é de estranhar que, no Algarve, o crescimento do desemprego pareça a construção de um arranha-céus. Pelas contas que fiz, a partir de dados dos centros de emprego, no ano passado, o aumento de desempregados oficiais subiu 55%. Só no Centro de Emprego de Portimão já estão inscritas mais de 7.700 pessoas. É muita gente.
E, já agora, lembro-me que um dos argumentos essenciais de apoio à construção de grandes espaços comerciais a torto e a direito é que eles criariam muitos milhares de postos de trabalho. Não se nota muito.
As duas associações comerciais de Portimão têm vindo a tentar remar contra a maré, com a realização de eventos que dêem visibilidade, vendas e dinheiro ao comércio tradicional. Por aquilo que ouço falar, julgo que, por exemplo, as feiras de retalho têm sido um sucesso, ao ponto do número de expositores ter vindo a aumentar de forma exponencial e de, no ano passado, já se terem realizado duas em vez de apenas uma.
Mas, a coisa resultou, em boa medida, devido ao local - zona ribeirinha - em que as tendas foram instaladas. O que nos leva a uma questão fundamental: para conseguirem vender alguma coisa de jeito, estes empresários estão condenados a terem que vir para junto do rio ou há alguma forma de atrair gente ao centro da cidade?
Eu acho que é possível dinamizar o centro comercial, mas a chave para isso é a Alameda da Praça da República. Já escrevi aqui várias vezes e insisto que aquele amplo espaço tem de ser muito melhor aproveitado. Tem que servir para acolher, com regularidade, eventos de âmbito cultural, recreativo, desportivo e até cultural para atrair toda aquela multidão que, sobretudo no Verão, passa a vida a andar para baixo e para cima, na zona ribeirinha. É claro que, para isso, é necessário que se encontre uma forma de cobrir parte da Alameda, de forma a que as pessoas não fujam de lá sempre que há sol, chuva ou um pouco de vento. Penso que está na altura de encarar de frente esta situação e de resolvê-la. Caso isso não aconteça, a única forma que vejo de os comerciantes facturarem é fecharem as lojas durante o Verão e virem instalar-se junto ao rio, onde estão os seus potenciais clientes. Não é uma situação muito prática!

Sábado, Fevereiro 13, 2010

Belos políticos que temos

(Opinião - J.E.)
No Algarve, os graves problemas económicos e sociais que vivemos resultam de vários factores. Desde logo, da crise internacional. Depois, da nossa excessiva dependência do turismo de sol e praia. Em terceiro lugar, da desgraçada atitude passiva dos algarvios. E, colocando a cereja no topo do bolo, dos belos políticos que, salvo raríssimas excepções, temos na região. São tão bons que nem os seus chefes de Lisboa os levam a sério nem lhes dão qualquer papel de relevo.
Nesta altura, passo boa parte do meu tempo no Ribatejo e um dos artigos que tenciono fazer proximamente é sobre os políticos do distrito de Santarém que se encontram em cargos importantes, a nível nacional. Para começar, há um ministro: Jorge Lacão. Como secretários de Estado, a região conta com Rui Barreiro, Idália Moniz, Conde Rodrigues e João Correia. No PSD, sem cargo de relevo, mas com conhecida influência, quer no seu partido, quer na comunicação social, há Pacheco Pereira e, se Passos Coelho ganhar a liderança do PSD, o seu homem-forte, Miguel Relvas, também é do distrito. Isto para já não falar do presidente da Câmara de Santarém, Moita Flores, que tem dimensão nacional. No Bloco de Esquerda, o deputado eleito pelo distrito, José Gusmão, é quem normalmente responde pelo partido na vertente económica e o deputado do PCP, António Filipe, é um dos elementos do seu grupo parlamentar que mais aparece na comunicação social.
Agora, compare-se este panorama com o algarvio. Não temos um único secretário de Estado, quanto mais um ministro, e os deputados eleitos pela região não riscam praticamente nada nos seus grupos parlamentares nem na comunicação social. Portanto, mesmo que tenham boa vontade e interesse em defender a região, acabam por não ter nem poder, nem influência para conseguir fazê-lo.

Sexta-feira, Fevereiro 12, 2010

Bons negócios

(Opinião - J.E.)
Em 2009, o sector turístico algarvio registou uma queda a pique. Tendo em conta a crise económica e financeira que se abateu sobre o mundo, grande surpresa seria se isso não tivesse acontecido. Mas, como, pelos vistos, o Governo continua a viver numa realidade virtual, o secretário de Estado do sector veio logo zangar-se com o presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) por o homem ter-se limitado a constatar o óbvio.
Este Governo é fantástico a esconder a cabeça na areia. Durante muito tempo, andou a enganar quase o mundo inteiro com a questão da pseudo-redução histórica do défice. Quem levasse a sério os rapazes de Sócrates, ainda era capaz de pensar que, mais um bocadinho, e até ficávamos sem défice, se calhar, tínhamos de começar a importá-lo de Espanha. Ao mesmo tempo, e quando no mundo empresarial já toda a gente sentia a crise na pele, deitavam-se foguetes sobre a evolução da economia nacional. Modestos, os nossos governantes, em determinada altura, lá admitiram que até estávamos a atravessar alguns problemas, mas logo decretaram o fim da crise, exactamente no momento em que ela explodia. Ainda bem que temos gente inteligente e cheia de cursos superiores no Governo.
Agora, na altura em que essa deveria ser a nossa menor preocupação, lá regressou em força a sagrada questão da redução do défice. Nesta fase, a grande pressão vem lá de fora, da Comissão Europeia e das sinistras agências de rating, que têm fortes interesses económicos e financeiros escondidos. Cá para mim, toda esta conversa tem como objectivo fundamental fazer com que o Governo venda o resto das participações que tem na Galp, EDP, REN, no sector financeiro e privatize as águas, se calhar, também os transportes, e o mais que ainda houver. E que o faça o mais rapidamente possível, quando o mundo está em crise e, portanto, essas participações valem muito menos do que valerão depois da tempestade passar. Com isso, haverá grandes empresas a fazer grandes negócios à conta dos contribuintes portugueses que, ao longo de tantos anos, financiaram a construção e manutenção de muitas dessas empresas. Enfim, nada de novo, é um filme que estamos habituados a ver. Em sessões contínuas.

Sexta-feira, Janeiro 29, 2010

A nossa salvação

(Opinião - J.E.)
Há uns poucos meses, a oposição estava apaixonada pelas pequenas e médias empresas. Por isso, aprovou, no Parlamento, uma série de propostas positivas, como a extinção do Pagamento Especial por Conta (PEC) e a diminuição do Pagamento por Conta (PC). Quem alguma vez geriu uma empresa, nem que seja de vão de escada, sabe os problemas de tesouraria que lhe causam as fortunas que tem de pagar ao Estado. Portanto, estas eram medidas positivas, que iam ajudar a que muitas pequenas empresas não fechassem as portas. Dessa forma, poderiam continuar a pagar impostos e a manter postos de trabalho, evitando que o Estado gastasse ainda mais em subsídios de desemprego.
Mas eis que Sócrates finge dar alguma importância a PSD e CDS e eles metem logo a viola no saco. Por aquilo que tenho lido, no Orçamento não constam a extinção do PEC, a diminuição do PC nem sequer essa medida lógica e de elementar justiça que seria as empresas só pagarem IVA ao Estado depois de o terem recebido dos seus clientes.
Mas parece que há benefícios para as empresas que queiram ser cotadas na Bolsa de Valores. Vai ser a nossa salvação. Grande Governo. Grande oposição. Estão bem uns para os outros.

Quinta-feira, Janeiro 28, 2010

Em boas mãos

(Opinião - J.E.)
Depois de uma breve pausa, o fanatismo 'religioso' à volta da redução do défice está de regresso e em força. Está escrito nas estrelas que se, a muito curto prazo, ele não for reduzido para 3 por cento, o mundo acaba. Tem de ser mesmo 3 por cento, não 5, nem 4, nem 3,1, sequer. É um número mágico, ao que parece. Quem o diz são os grandes economistas, analistas e as agências de risco. Ou seja, toda aquela gente que, por mera distração, não viu a crise chegar. Voltamos a ficar em boas mãos, está visto.